Colcha de Retalhos

"O homem é um deus quando sonha e não passa de um mendigo quando pensa." Holderlin

Textos

SALA DE ESPERA
Sala de espera. Entre as quatro paredes do pequeno ambiente, espero ser atendida. O verbo me questiona: Aguardo? Tenho esperança? Confio? Um sujeito paciente atormentado por interrogações.  Quem espera depende da ação do outro. Aguardo e basta.

Não sei se tenho esperanças ou se já me sinto segura à margem das minhas expectativas. Posso ler revistas, questionar o problema dos outros, retirar os supérfluos da bolsa, mas a ação é clara, aguardo o que está além da espera.

Rendo-me às incertezas e, com um olhar abandonado, tento em vão angariar a compreensão dos outros. Mas cada qual busca o próprio complemento. Esperar não é mais intransitivo, é um verbo em busca da primeira pessoa, direto, indireto, confessional, reticente...

Procuro um dicionário entre as diversas revistas e o Novo Testamento espalhados na sala. Talvez tudo não passe de uma cilada do idioma. Tento a solução do conflito em outras línguas. Em italiano, attendere é aguardar e sperare é ter esperança - é stanza di attesa e não stanza di speranza. Em inglês, wait e hope; em francês, attendre e espérer. São distintos os vocábulos e não se confundem. Quem espera não necessariamente tem esperança.

"Senha 263"

Sala cheia. Ainda uma dezena. Espero porque aprendi a esperar antes mesmo das mais remotas lembranças. Já não tenho ilusões quanto à pluralidade de significados. Aguardo e basta.

"Senha 264!"

Ainda espero...

Helena Sut

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Publicado em 23/02/2010 às 11h44


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